26/12/2018

Em novembro os mercados internacionais seguiram voláteis. Dúvidas sobre o ritmo de continuidade do crescimento global ganharam espaço e derrubaram os preços dos ativos de risco. Neste sentido, o preço do barril de petróleo WTI passou de cerca de USD 65 para pouco mais de USD 50 e ilustra bem a desconfiança dos investidores em relação ao crescimento. Neste sentido, destacou-se o fim do corte de produção pelos países membros da OPEC, em julho, para compensar a queda de produção da Venezuela e embargos em relação ao Irã.

Além disso, a discussão sobre o ritmo de normalização da política monetária norte-americana voltou ao centro das atenções. Os investidores vêem riscos de que ao seguir reduzindo o tamanho do seu balanço o Fed pode afetar a liquidez do sistema financeiro de modo mais grave do que imagina, o que teria efeitos deletérios sobre a atividade econômica.

Por fim, apesar das altas e baixas, houve continuidade da tendência de apreciação do USD ante as principais divisas de países centrais e, obviamente, emergentes. Este cenário, combinado com os riscos de que a economia global possa experimentar desaquecimento nos próximos meses afetou negativamente as taxas de juros futuras dos títulos do Tesouro Americano de 10 anos, que voltaram a negociar abaixo da marca de 3% após terem chegado próximo às máximas recentes de 3,2%.

No cenário doméstico, a turbulência internacional teve seus impactos derrubando preços de ativos de risco e trazendo aumento de volatilidade. Apesar disso, a bolsa de valores conseguiu reverter as perdas do início do mês e alcançou novas máximas nos últimos dias do mês. Em contraponto, o Real se desvalorizou ante o dólar refletindo não apenas o componente global de apreciação do dólar, mas questões domésticas como a redução dos fluxos cambiais, em parte consequência dos efeitos da taxa de juros baixa que vem sendo mantida em função de a inflação estar bem-comportada e do movimento.

Em relação às questões políticas, o mercado segue tentando entender quais serão as medidas práticas adotadas pelo novo governo para endereçar as questões fiscais que são, sem dúvidas, as mais importantes para subsidiar um processo de recuperação econômica sólido e de médio e longo prazo. Cabe destacar, uma vez mais, que dentro dos ajustes necessários, o principal deles será a reforma da previdência, que se configura no maior fator de risco de curto prazo já que, caso a expectativa de aprovação rápida seja frustrada, haverá uma substancial reprecificação dos ativos de risco.

Em relação ao futuro, seguimos com uma visão construtiva em relação ao Brasil e ao cenário internacional. Os episódios de maior volatilidade não sugerem que estejamos na iminência de uma nova crise, apesar de requerem a cautela adequada. Além disso, com a recente redução das taxas de juros futuras, inclusive indexadas a inflação, fica claro que o trabalho de diversificação dos investimentos do ativo gerido será inevitável para que se alcancem os resultados pretendidos nos planos de benefícios.

Neste sentido, seguimos com a estratégia de fazer investimentos em gestores terceirizados cuja expertise permita retornos satisfatórios neste ambiente econômico. Ao longo do mês de novembro selecionamos alguns gestores de fundos multimercados exatamente por entender que diante do aumento de volatilidade, essa classe de ativos apresenta uma relação entre risco e retorno coerente com a que pretendemos que nossa carteira de ativos reflita.

Carta do Gestor de Investimento